Missa de 7º dia de romeiros vítimas de acidente é presidida por Frei José Davi em Brejo Santo

Há pouco mais de uma semana (4), a Romaria de São Francisco das Chagas viveu um momento de profunda dor com o acidente envolvendo um grupo de romeiros que seguia de Brejo Santo em direção a Canindé. Na ocasião, o Corpo de Bombeiros confirmou duas mortes no local. As vítimas foram identificadas como Selma Maria de Souza e Sandra de Raimundo Esperdião. Na última terça-feira (7), foi confirmado também o falecimento de Neusa Inácio da Silva.

A Paróquia-Santuário de São Francisco das Chagas acompanhou esse momento desde os primeiros instantes, prestando assistência no local do acidente, acompanhando as vítimas no Hospital Regional, oferecendo acolhimento no Abrigo dos Romeiros e auxiliando no retorno dos peregrinos às suas casas. Essa solidariedade estendeu-se também ao período de luto, com a participação na Missa de 7º dia das vítimas na última sexta-feira (11). O pároco da Paróquia de São Francisco das Chagas de Canindé, Frei José Davi, OFM, acompanhado por um grupo de paroquianos, esteve presente na celebração.

O clima de fé sobressaía em meio à comoção dos moradores da Vila São Sebastião, que se reuniram na igreja da comunidade para celebrar a esperança cristã. A celebração foi presidida por Frei José Davi.

Durante a homilia, Frei Davi lembrou que “a vida cristã, quando mergulhada na vida de Cristo, torna-se mistério, e o mistério é vivido na fé”. Destacou ainda que, mesmo quando não encontramos respostas para determinadas situações da vida, especialmente nos momentos de dor e sofrimento, Deus permanece sendo a resposta para o ser humano. Convidando todos a olharem para a cruz, afirmou que é nela que se encontra o verdadeiro sentido da vida.

Prosseguindo sua reflexão a partir do testemunho das falecidas, Frei Davi recordou que elas foram movidas pela fé para visitar o Santuário de São Francisco das Chagas. Quando tudo parecia ser um sinal de bênção, veio o contraste da tragédia com a notícia do acidente. Diante disso, observou que muitos se perguntam: Por que, Senhor? Será que nossa fé era pequena? Será que nossas práticas devocionais não Te agradaram? Será que fomos ao Teu encontro com algum pecado grave e não quiseste aceitar o nosso louvor? No entanto, ressaltou que não se deve interpretar os fatos dessa maneira. Segundo o frade, “a romaria destes irmãos e irmãs foi santificada por Deus. O fato de ter acontecido este trágico acidente uniu a vida destas nossas irmãs à vida de Cristo. O sacrifício delas foi unido ao sacrifício de Cristo. Não sabemos por que foram elas, mas uma coisa é certa: Deus, em seu amor, as acolheu.”

Ao concluir essa reflexão, o pároco destacou três ensinamentos que podem ser colhidos desse momento. O primeiro é o valor da vida e a importância de valorizarmos a presença daqueles que amamos. Segundo ele, o sofrimento torna-se uma escola de Deus, pois é na experiência da dor que aprendemos a reconhecer o valor do próximo e a não deixar para amar apenas amanhã.

O segundo ponto foi a necessidade de renovar a fé. Frei Davi recordou que, para o homem e a mulher de fé, toda a existência é uma romaria. Apesar da tristeza provocada pela forma como tudo aconteceu, afirmou que aquelas irmãs testemunham, no silêncio de suas vidas, que a maior peregrinação é rumo à Jerusalém Celeste. Lembrou ainda que  “Nesta vida tudo passa. Somos romeiros. Nossa pátria é a Jerusalém Celeste, nossa Canindé Celeste, nosso Juazeiro Celeste, onde Deus espera cada um de nós.”

Por fim, à luz do Evangelho do dia, Frei Davi ressaltou que é preciso prudência para discernir os sinais de Deus na história, simplicidade para acolher sua vontade e perseverança para permanecer fiel a Cristo até o fim.

Em meio às homenagens da comunidade, as mensagens destacaram o espírito de oração presente em cada uma das falecidas, sua dedicação à vida pastoral, a alegria de celebrar a vida e o espírito de romaria que carregavam no coração. Oriundas de uma paróquia que tem São Francisco como padroeiro, os fiéis ressaltaram que a espiritualidade franciscana permanece viva na certeza de que a morte é apenas uma passagem para a vida eterna.

Confira alguns registros da celebração:

Durante os relatos, os sobreviventes também recordaram os gestos de solidariedade vividos em meio ao sofrimento. Lembraram que muitas pessoas abriram as portas de suas casas, disponibilizando internet e até transporte para que os familiares e romeiros chegassem ao local do acidente. Também destacaram que, em meio às dificuldades, a rápida atuação dos profissionais de saúde e de segurança representou um verdadeiro sinal de esperança. Da mesma forma, agradeceram pelo apoio jurídico, psicológico e espiritual oferecido pela Paróquia-Santuário de São Francisco das Chagas, que, por meio do Abrigo dos Romeiros, acolheu as vítimas e seus familiares, garantindo-lhes assistência integral durante todo o período, contando também com o apoio do Município de Canindé.

Ao final da celebração, Frei Davi convidou todos a voltarem o olhar para a imagem de São Francisco. Enquanto a assembleia entoava o canto Salve Francisco, a comunidade tornou-se uma extensão do Santuário de Canindé, fortalecendo a fé do povo presente, estreitando simbolicamente os 441 quilômetros que separam Canindé de Brejo Santo e renovando, no coração de todos, o verdadeiro sentido da romaria cristã: caminhar, unidos, rumo ao Céu.

Texto: Roberto Alves – SerCom do Santuário.

Fotos: PasCom da Paróquia de São Francisco das Chagas.

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