Marcos históricos do Santuário de São Francisco das Chagas de Canindé

A história do Santuário de São Francisco das Chagas de Canindé, Ceará, Brasil é marcada por acontecimentos que atravessam gerações e revelam a força da fé de um povo. Cada espaço, imagem e monumento guarda memórias que ajudam a compreender a formação deste importante centro de peregrinação franciscana. Nesta página, apresentamos alguns dos marcos históricos que fazem parte da identidade do Santuário, preservando a herança espiritual, cultural e religiosa que continua a acolher e inspirar milhões de romeiros e devotos de São Francisco das Chagas.

Conheça a História

Basílica de São Francisco das Chagas

A história da Basílica de São Francisco das Chagas tem início em 1775, quando começou a construção da primeira igreja dedicada ao santo, com a colaboração do terciário franciscano Francisco Xavier de Medeiros. No mesmo período, chegou a Canindé a pequena imagem de São Francisco, conhecida pelos devotos como “São Francisquinho”. A igreja foi concluída e inaugurada em 1796, ano em que também chegou a imagem de São Francisco das Chagas que permanece no altar principal.

Em 1817, a antiga capela foi elevada à condição de Matriz, dando origem à Paróquia de São Francisco das Chagas. Com o crescimento da devoção e o aumento do número de romeiros, a igreja passou por uma grande reforma a partir de 1910, sendo concluída em 1915. Em 1917, por ocasião do 1º Centenário da Paróquia de Canindé, Dom Manuel da Silva Gomes, Arcebispo de Fortaleza, procedeu à sagração do Santuário de São Francisco das Chagas.

Em 1925, a Santa Sé concedeu ao templo a dignidade de Basílica Menor, reconhecimento da fé do povo e da importância da devoção franciscana. A instalação solene da Basílica ocorreu em 1926, durante as comemorações do 7º Centenário da morte de São Francisco. Nesse mesmo ano, foram concluídos os afrescos que ornamentam o interior do templo, obra do artista Georg Kau. Em 2026, a Basílica celebra os 100 anos desses painéis e a Igreja celebra o Jubileu Franciscano dos 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis.

Linha do tempo

1775

Início da construção da primeira igreja.

1796

Conclusão da construção.

1817

Elevação à condição de Matriz.

1910-1915

Grande reforma.

1917

Sagração do Santuário.

1925

Título de Basílica Menor.

1926

Instalação solene da Basílica e conclusão dos afrescos.

Casa dos Milagres

A Casa dos Milagres é um dos espaços mais expressivos da devoção a São Francisco das Chagas em Canindé. Nela são guardados os ex-votos, objetos deixados pelos fiéis em agradecimento por graças alcançadas, como fotografias, cartas, peças em madeira, cera ou gesso, roupas e outros sinais de fé.

A devoção dos romeiros e devotos fez crescer, ao longo do tempo, a quantidade de ex-votos no interior da antiga igreja. Em 1888, já se registravam mais de 4 mil objetos votivos. Por isso, em 1896, atendendo à orientação de Dom Joaquim José Vieira, foi inaugurada a Casa dos Milagres, destinada a acolher esses testemunhos de fé e gratidão.

Entre 1954 e 1956, o espaço passou por ampla reforma e ampliação, durante a administração dos frades franciscanos. Em 2017, foi novamente modernizado, formando um complexo que reúne salas de exposição de ex-votos, cabines de confissão, sala de reunião, Capela de São Damião e Capela do Painel. A Casa dos Milagres permanece como parada obrigatória no caminho de fé dos romeiros que visitam o Santuário.

Linha do tempo

1888

Registro de mais de 4 mil ex-votos na Igreja Matriz.

1896

Inauguração da Casa dos Milagres.

1954–1956

Reforma e ampliação do espaço.

2017

Modernização do complexo São Damião.

Painel de São Francisco

A Capela do Painel, localizada em anexo à Casa dos Milagres, guarda um dos maiores símbolos da devoção franciscana em Canindé: o Painel de São Francisco. Este ícone histórico acompanha as procissões e celebrações mais importantes do Santuário, especialmente durante a Festa de São Francisco das Chagas.

O Painel saiu em procissão pela primeira vez em 24 de setembro de 1890, durante os festejos de inauguração da Igreja Matriz. Idealizado pelo vigário Padre Manoel Cordeiro da Cruz, tornou-se rapidamente uma tradição entre os canindeenses e romeiros. Na época, por não haver iluminação pública, era conduzido à luz de lamparinas, reunindo multidões pelas ruas da cidade.

Com cerca de 500 quilos, o Painel é conduzido por devotos em momentos especiais do calendário religioso do Santuário: no dia da Festa de Nossa Senhora dos Anjos — Perdão de Assis, em 2 de agosto; e durante o novenário da Festa de São Francisco das Chagas. Ao longo dos anos, passou por restaurações para preservar sua estrutura e seu valor artístico. Em 2010, foi criado o Grupo Amigos do Painel, formado por voluntários que zelam por esse patrimônio histórico e espiritual do Santuário.

Linha do tempo

1890

Primeira procissão do Painel de São Francisco.

1979

Restauração para preservação da estrutura original.

2010

Criação do Grupo Amigos do Painel.

Hoje

Patrimônio histórico e religioso do Santuário.

Gruta de Nossa Senhora de Lourdes e Casa das Velas

A Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, localizada atrás da Basílica de São Francisco das Chagas, é um espaço de devoção mariana e oração dos romeiros. Foi construída por Luiz Gonzaga de Maria, conhecido como mestre Luiz Fabiano, a pedido de Frei Lucas Vonnegut, e inaugurada em 11 de fevereiro de 1931.

Inspirada nas aparições de Nossa Senhora a Santa Bernadete, em Lourdes, na França, a Gruta tornou-se lugar de fé, purificação e esperança. Ali, muitos devotos lavam as mãos, a cabeça e os pés, recolhem água benta, fazem pedidos e expressam sua confiança na intercessão da Mãe de Deus.

Com o passar do tempo, a Gruta passou a ocupar lugar especial no coração dos romeiros. Para o povo sertanejo, acostumado à secura e às dificuldades da vida, a água que brota naquele espaço tornou-se sinal de consolo, bênção e renovação da fé. O local também abriga a Casa das Velas, construída em 1981 por Frei Canísio Lima, onde os fiéis acendem suas velas em agradecimento por graças alcançadas.

Linha do tempo

1931

Inauguração e bênção da Gruta em Canindé.

1981

Construção da Casa das Velas.

Hoje

Espaço de oração, promessas, água benta e devoção mariana.

São Francisquinho

Imagem primitiva do Santuário

A imagem conhecida como “São Francisquinho” é considerada a mais antiga imagem de São Francisco presente no Santuário de Canindé. Segundo a tradição, ela teria chegado à cidade com Francisco Xavier de Medeiros, provavelmente em 1775, ano em que teve início a construção da primeira igreja dedicada a São Francisco das Chagas.

Com 62 centímetros de altura, a imagem foi a primeira representação de São Francisco exposta na capela primitiva. Sua origem é discutida entre pesquisadores: alguns historiadores apontam que ela teria vindo de Portugal; já Frei Sales, que restaurou a imagem em duas ocasiões, identificou nela características artísticas ligadas ao século XVIII e à Escola de Artes Sacras de Pernambuco. Essa possibilidade é considerada porque Francisco Xavier de Medeiros teria vivido em Pernambuco antes de se estabelecer no Ceará.

Até o final do século XIX, São Francisquinho era uma das imagens mais queridas pelos devotos, sendo aquela a quem muitos dirigiam suas preces com especial confiança. Hoje, encontra-se em um altar-oratório na lateral da entrada da Basílica, junto aos ostensórios com relíquias de São Pedro, São Paulo, Santa Luzia e São Francisco. Ainda hoje, é comum ver romeiros e devotos rezando diante da imagem, em gesto de fé, proximidade e devoção.

Anualmente, São Francisquinho é conduzido na procissão de encerramento da Festa de São Francisco, no dia 4 de outubro, data em que a Igreja recorda o nascimento de São Francisco para o céu.

Linha do tempo

1775

Chegada provável da imagem a Canindé.

Século XIX

Imagem de grande devoção popular.

4 de outubro

Procissão de encerramento da Festa.

Hoje

Exposta no altar-oratório da Basílica.

Imagem de São Francisco das Chagas

do altar-mor da Basílica

A imagem de São Francisco das Chagas venerada no altar-mor da Basílica chegou a Canindé em 1796, ano da conclusão da capela primitiva. Foi doada pelo Coronel Jerônimo Machado e, após sua entronização e bênção, tornou-se uma das principais referências da devoção franciscana no Santuário.

De acordo com o Livro de Tombo da Paróquia de Canindé, a imagem possui cerca de cinco palmos de altura, aproximadamente 1,50 metro, resplendor de prata e crucifixo de madeira na mão direita. Exposta no altar principal, passou a ocupar lugar central na vida religiosa dos devotos e serviu de modelo para antigas gravuras de São Francisco veneradas pelo povo.

Ao longo do tempo, a imagem passou por quatro restaurações. A primeira ocorreu em 1865, na Bahia, por intermédio de Alexandrino Raimundo de Carvalho, romeiro de Aracati, no Ceará.

A segunda restauração foi realizada em 1982, durante a gestão de Frei Lucas Dolle. Em 2005, na gestão de Frei Carlos Antônio, a imagem foi restaurada por Frei Sales, que identificou, por meio de radiografias, pontos internos deteriorados e aplicou técnicas modernas de conservação. A quarta restauração aconteceu em 2020, na gestão de Frei Jonaldo Adelino, realizada pelo restaurador Fabrício Costa, em Fortaleza.

Presente no altar-mor da Basílica, essa imagem permanece como sinal de fé, confiança e devoção para gerações de romeiros que visitam Canindé.

Linha do tempo

1796

Entronização e bênção da imagem.

1865

Primeira restauração, realizada na Bahia.

2005

Restauração com técnicas modernas de conservação.

2020

Quarta restauração da imagem.

Afrescos da Basílica de São Francisco das Chagas

Os afrescos da Basílica de São Francisco das Chagas, em Canindé, foram pintados em 1926 pelo artista alemão Georg Kau. Sua execução aconteceu em um período marcante para o Santuário, após a grande reforma da antiga Igreja Matriz, a concessão do título de Basílica Menor, em 1925, e as comemorações do 7º Centenário da morte de São Francisco de Assis.

Com profundo sentido catequético, os painéis transformaram as paredes e a cúpula da Basílica em espaços de contemplação, oração e anúncio da fé. As imagens ajudam os fiéis a meditar sobre a espiritualidade franciscana e tornam o templo um importante patrimônio religioso, artístico e cultural.

A técnica utilizada foi o afresco, pintura mural feita com pigmentos diluídos em água sobre uma camada de cal ainda úmida. Assim, a cor se integra à própria parede, garantindo maior durabilidade à obra. Para a execução dos painéis, foram montados andaimes de madeira e, sob orientação do artista, o reboco era preparado em pequenas partes, permitindo que a pintura fosse realizada antes que a massa secasse.

Os afrescos possuem dimensões expressivas: os santos representados na parede do altar medem cerca de 1,75 metro cada, enquanto os anjos da cúpula chegam a aproximadamente 2,15 metros. Em 2026, ano em que a Igreja celebra o Jubileu Franciscano dos 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis, a Basílica também recorda os 100 anos de seus afrescos.

Linha do tempo

1925

Título de Basílica Menor.

1926

Pintura dos afrescos por Georg Kau.

1926

7º Centenário da morte de São Francisco.

2026

100 anos dos afrescos da Basílica.

2026

Jubileu Franciscano dos
800 anos do Trânsito de São Francisco.

Produção: Equipe Criativa de Design do Santuário – SerCom do Santuário.

Imagens: Arquivo digital da Paróquia-Santuário de São Francisco das Chagas.

Fonte: Livro de São Francisco das Chagas de Canindé, de Frei Venâncio Willeke, OFM, e Academia Canindeense de Letras, Artes e Memória – ACLAME.


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