Canonização de São Francisco: a santidade como vocação

As datas franciscanas celebradas ao longo deste ano adquirem um significado ainda mais profundo com o Jubileu Franciscano, proclamado pelo Papa Leão XIV. Entre elas, destaca-se o dia 16 de julho, memória da canonização de São Francisco de Assis. Em 2026, quando a Família Franciscana também celebra os 800 anos do trânsito do Santo, a canonização recorda que a passagem de Francisco para a eternidade foi a plenitude de uma vida inteiramente dedicada a Deus.

Celebrar esta data é celebrar a confirmação da Igreja de que Francisco viveu uma autêntica vida evangélica e continua a inspirar muitos fiéis.

Ao falar sobre canonização a Igreja nos instrui que: “Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está em si e sustenta a esperança dos fiéis, propondo-os como modelos e intercessores.” (Catecismo da Igreja Católica – 828).

O reconhecimento e a veneração de alguns fiéis na Igreja começaram ainda no início do cristianismo, quando, após o martírio de alguns irmãos, eles eram reconhecidos e venerados pelos próprios fiéis. Ao longo do tempo, com a solidificação da doutrina da Igreja, foi iniciado um processo que passou a ser assumido pela autoridade dos Papas para declarar quem poderia ser oficialmente venerado como santo. Nesse período, deu-se a canonização de São Francisco, que foi uma das mais rápidas da história da Igreja e aconteceu a partir do testemunho dos muitos milagres realizados pelo Santo.

O reconhecimento de uma vida evangélica

A Canonização de São Francisco – Folia Magazine.

O processo de canonização de São Francisco acompanhou as orientações que começavam a ser estabelecidas pela Igreja. Com o desejo de preservar sua memória e difundir seu testemunho, o Papa Gregório IX incentivou a redação da primeira biografia oficial do Santo.

Essa missão foi confiada a Tomás de Celano, que escreveu a Primeira Vida de São Francisco entre 16 de julho de 1228, data da canonização, e 25 de maio de 1230, quando ocorreu a transladação do corpo do Santo para a nova Basílica de Assis. Posteriormente, Celano redigiria outras obras, incluindo uma dedicada especialmente aos milagres atribuídos à intercessão de Francisco.

Vale salientar a proximidade existente entre o Papa Gregório IX, até então o cardeal Hugolino, e São Francisco. Muito próximo do Pobrezinho de Assis, Hugolino foi nomeado, a pedido de Francisco, pelo Papa Inocêncio III, como cardeal protetor da Ordem Franciscana.

Tamanha amizade e conhecimento sobre a vida do Pobrezinho de Assis fizeram com que Gregório IX narrasse belíssimos fatos, expostos em sua bula de canonização, utilizando belos exemplos bíblicos e reconhecendo, entre as maravilhas de Deus, a forma como o Senhor se serviu do testemunho de Francisco, que viveu uma vida santa, operosa e luminosa, a ponto de declarar: “com múltiplos e grandiosos milagres que a vida dele era agradável para ela e que sua memória devia ser venerada na Igreja militante.” (Bula de Canonização).

Uma santidade que inspira

“São Francisco Recebe os Estigmas” por Ambrogio Bergognone.

O testemunho que ultrapassou as fronteiras da Europa espalhou-se rapidamente por todo o mundo e continua atraindo a devoção e a admiração em vários lugares, movendo grandes manifestações de fé. Trata-se de um testemunho gestado em uma vida concreta, inteiramente assemelhada a Cristo por meio da vivência do Evangelho. Em uma época em que, por vezes, o exemplo dos santos canonizados era pouco difundido e os processos nem sempre eram claros, Francisco apenas viveu aquilo que é comum a todos os cristãos: o chamado à santidade.

O exemplo de Francisco deve continuar inspirando todos os romeiros e devotos a viverem essa vocação, descobrindo, a partir do seu exemplo, aquilo que já nos falava o Papa Francisco em sua exortação apostólica Gaudete et Exsultate: “O Espírito Santo derrama a santidade, por toda a parte, no santo povo fiel de Deus, porque ‘aprouve a Deus salvar e santificar os homens, não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse santamente’” (GE, 6).

Texto: Roberto Alves – SerCom do Santuário.


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