Desde o último dia 5 de julho, o Papa Leão XIV vive um período de descanso na residência papal de verão, em Castel Gandolfo. Nesse período, as audiências gerais, privadas e especiais são suspensas, e o Sumo Pontífice alterna sua rotina, como ele mesmo partilhou: “descansando um pouco, rezando um pouco, lendo um pouco e, com sorte, praticando um pouco de esporte aqui em Castel Gandolfo!”.

O gesto do Papa ressalta o compromisso e o direito ao descanso necessário em meio às atividades do dia a dia e, mais do que isso, convida-nos a olhar o tempo de férias como um verdadeiro tempo de graça.
Mas como viver esse período de modo que ele se torne também um caminho espiritual e não apenas uma pausa na rotina? Essa foi a pergunta enviada por Maurizio, leitor da revista Piazza San Pietro (Praça de São Pedro), ao Papa. A resposta veio acompanhada de orientações importantes que também servem aos romeiros e devotos que chegam a Canindé neste período.
Primeiramente, o Papa reafirma o valor das férias, afirmando que elas “devem ser também para todos um espaço de descanso das ocupações e preocupações”. Ao mesmo tempo, convida os fiéis a fazerem desse período uma oportunidade “para fortalecer nossa fé”, aproveitando-o também “para viver o Evangelho da paz e da misericórdia”.
Em sua mensagem, o leitor destacava o trabalho de condução realizado pelo Papa em meio ao agravamento dos conflitos no mundo e a necessidade de alimentar uma espiritualidade mais consciente e verdadeira, traduzida em gestos concretos para com o próximo. Em resposta, o Papa Leão XIV pede que não percamos de vista “aqueles que nem mesmo podem desfrutar de um breve período de descanso, pois estão oprimidos pelo peso de dificuldades de todo tipo”. Em seguida, recorda os doentes, as pessoas que perderam a confiança na vida, aqueles que sofrem pela perda de entes queridos, as vítimas das guerras, do ódio, do terrorismo e da violência, os perseguidos por causa da fé e da justiça, os presos, os desempregados, os que perderam suas casas e os migrantes que não são acolhidos com dignidade.
O Papa destaca, assim, a necessidade de cultivar uma atitude de cuidado e misericórdia para com todos, lembrando que esse serviço é prestado ao próprio Cristo e constitui um testemunho autêntico da pobreza evangélica.
Por fim, o Santo Padre aconselha a evitar “os excessos e o desperdício, o materialismo e o consumismo, cultivando a sobriedade como um estilo cristão de vida”. Em contraste com a lógica materialista, ele propõe um caminho que faz parte do patrimônio cristão: a ajuda mútua, capaz de fortalecer o espírito comunitário. Trata-se, segundo suas palavras, desse “patrimônio objetivo de humanidade e de paz, a única esperança de dar um futuro ao mundo ameaçado pela guerra”. O Papa conclui recordando que a verdadeira paz não será alcançada pelo poder terreno, mas somente pelo “poder divino do amor que é Jesus”.
A experiência vivida pelos romeiros em Canindé traduz os apelos do Papa Leão XIV para este tempo de férias

Como um bom peregrino, o Papa também tem aproveitado suas férias para visitar importantes locais de peregrinação na Europa, como o Santuário da Santíssima Trindade, em Vallepietra, e o Mosteiro de São Bento, em Subiaco, com direito à oração diante de um afresco do século XIII de São Francisco de Assis, amplamente considerado a representação mais antiga conhecida do santo italiano.
A experiência vivida pelo Santo Padre nesses lugares recorda que os santuários são espaços privilegiados de encontro com Deus, onde a fé é fortalecida e a espiritualidade encontra alimento. Em Canindé, essa mesma realidade se faz presente.
Os pedidos deixados pelo Papa Leão XIV ganham eco na vivência do carisma franciscano espalhado por este lugar. A misericórdia, a vivência da simplicidade e da fé evocam a figura de São Francisco que, aqui venerado, continua convidando seus fiéis à vivência desses valores evangélicos. A grandeza do Santuário de Canindé guarda essa preciosidade, alimentando nos peregrinos uma experiência durante a romaria que sobressai ao consumo e ao que é meramente externo, conduzindo cada pessoa a fazer, de fato, uma profunda experiência de fé.
Texto: Roberto Alves – SerCom do Santuário.
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