
A cada 5 de julho, o calendário franciscano nos faz recordar o nascimento de São Francisco de Assis. No ano em que celebramos os 800 anos do Trânsito de São Francisco, esta data ganha um significado ainda mais especial, pois, vindo a este mundo, nosso Pai Seráfico abraçou com firmeza a vontade de Deus, a ponto de, ao fim de sua vida, nascer para a eternidade.
O nascimento de alguém é sempre ocasião de alegria. Assim nos afirma o Papa Francisco: “O nascimento de uma criança suscita alegria e encanto, porque nos coloca perante o grande mistério da vida” (Admirabile Signum, n. 8). Todo o processo de preparação, gestação e nascimento nos coloca diante da dinâmica da vida que, orientada pelo Criador, é tecida como um caminho. A própria Sagrada Escritura dá ênfase ao nascimento de personagens importantes da história da salvação. No Novo Testamento, por exemplo, contemplamos os nascimentos de João Batista e de Jesus e, em ambos, vemos o agir de Deus, que tudo prepara e acompanha, desde o desejo do coração dos casais de se abrirem à vida até o momento do nascimento. Acolher o nascimento de uma criança em nosso meio é também acolher o próprio Deus.
Assim foi para Pietro Bernardone e Dona Pica Bernardone. Ao verem que um filho homem vinha ao mundo, havia em seus corações, por um lado, o prestígio e a continuidade de uma família assegurados e, por outro, o desejo de que ele fosse um homem repleto de santas virtudes. Francisco nasce em meio a esse contraste e é formado nesse ambiente, lembrando-nos de que ele não nasceu santo, mas lutou intensamente para tornar-se santo.
Voltemo-nos às Fontes Franciscanas para compreender como elas narram esse acontecimento especial
Grande parte da biografia franciscana dá ênfase aos acontecimentos posteriores à conversão do jovem Francisco. Poucas obras apresentam detalhes sobre o seu nascimento. O que encontramos em comum em Tomás de Celano, na Legenda dos Três Companheiros e na Legenda Maior, de São Boaventura, é o fato de que seu nascimento ocorreu enquanto seu pai viajava à França, por exercer a atividade de comerciante. Em razão de sua ausência, o menino recebeu inicialmente o nome de João. Contudo, quando Pietro Bernardone regressou, decidiu mudar o nome do filho para Francisco, em homenagem àquela terra.
Os biógrafos franciscanos atribuem grande significado ao primeiro nome recebido pelo santo. São Boaventura afirma que, embora tenha havido a mudança de nome, o primeiro jamais perdeu sua importância, pois, à semelhança de João Batista, Francisco, mesmo tendo buscado intensamente os prazeres do mundo em sua juventude, foi assistido pela proteção do Alto e não depositou sua esperança nas riquezas e nos tesouros (cf. Legenda Maior 1,1).
Tomás de Celano, um dos primeiros biógrafos de Francisco, também destaca esse aspecto, apresentando a figura de sua mãe, Dona Pica, como uma mulher de grandes virtudes e de espírito quase profético, assemelhando-a a de Santa Isabel. Ao dar inicialmente ao filho o nome de João, ela correspondia, sem o saber plenamente, ao desígnio de Deus para aquele menino, que cresceria instruído pelo Criador, cultivando a cortesia e os bons costumes próprios da tradição francesa herdada de sua mãe. Assim, o nome João manifestava um sentido profético na vida do jovem de Assis, enquanto o nome Francisco convinha à expansão de sua fama, pois, plenamente convertido a Deus, seu testemunho rapidamente se difundiu por toda parte (cf. 2Cel 3-4).
O santo que hoje veneramos no altar de nossa Basílica, retratado pela arte sacra e pelos afrescos, e sobre quem Deus derramou tantas graças, nasceu no seio de uma família. Foi na naturalidade da vida de seus pais que sua personalidade foi sendo moldada e onde recebeu ensinamentos que carregaria por toda a existência. Como não recordar, por exemplo, que, de forma poética de saudar a Irmã Morte no fim da vida, no Cântico das Criaturas, ecoam também os estilos das cantigas dos trovadores franceses aprendidas com sua mãe? Ou ainda sua profunda sensibilidade diante da criação, que jamais tratou como objeto de exploração, mercadoria, mas sempre como irmãos e irmãs?
Ao celebrar o nascimento de São Francisco, fortalecemos, a partir de seu testemunho, a vocação de todo cristão à santidade. Antes de ocupar o lugar dos altares e receber o reconhecimento da Igreja, ele foi um filho desejado, gestado e amado por uma família. Foi no seio dessa primeira Igreja doméstica que o santo cresceu em graça e sabedoria diante de Deus e dos homens. É tempo também de recordar o nosso nascimento e cultivar em nós os valores que fomos formados para que jamais perdemos de vista nosso ponto de partida.
Texto: Roberto Alves – SerCom do Santuário.
Seja você também um Benfeitor do Santuário de São Francisco das Chagas de Canindé! Cadastre-se clicando no banner abaixo:

Serviço:
(85) 3343.9950 – Campanha dos Benfeitores do Santuário
(85) 3343.0017 – Secretaria do Santuário


