
A celebração dos Santos Protomártires Franciscanos nos conduz às origens mais profundas e exigentes do carisma franciscano: a fidelidade radical ao Evangelho, vivida até as últimas consequências. Eles foram os primeiros frades menores a derramar o sangue por Cristo e, por isso, tornaram-se sementes de vida nova para a Ordem e para a Igreja.
No ano de 1220, apenas onze anos após a aprovação da Regra de vida dos Frades Menores, cinco frades — Berardo, Otão, Pedro, Accursio e Adjuto — partiram em missão para o Marrocos, movidos pelo desejo de anunciar o Evangelho em terras onde o nome de Cristo ainda não era conhecido. Não foram enviados por ambição heroica, mas em espírito de obediência missionária, conscientes dos riscos que corriam.
Desde a chegada, enfrentaram hostilidade, perseguições e prisões. Mesmo assim, permaneceram firmes na proclamação da fé cristã. Diante das pressões para renegar Cristo, escolheram permanecer fiéis. Foram então martirizados, tornando-se os primeiros mártires da Ordem Franciscana.
O martírio que confirma um caminho
Ao receber a notícia da morte dos frades, São Francisco de Assis não reagiu com revolta nem desespero. Para ele, o martírio dos irmãos era um sinal claro de que o caminho evangélico iniciado pela fraternidade estava sendo vivido com verdade. Francisco não incentivava a busca do martírio, mas compreendia que a fidelidade ao Evangelho, em certos contextos, pode conduzir ao dom total da vida.
O martírio dos Protomártires não foi um episódio isolado. Ele se tornou um marco espiritual na história franciscana, revelando que a pobreza, a fraternidade e a missão não eram apenas ideais, mas escolhas concretas, capazes de sustentar até o sofrimento extremo.
Um testemunho que gerou vocações
O impacto desse martírio ultrapassou os limites da Ordem nascente. Os corpos dos cinco frades foram levados para Portugal e, ao contemplar o testemunho daqueles homens, um jovem cônego agostiniano chamado Fernando de Bulhões foi profundamente tocado. A coragem e a entrega dos Protomártires despertaram nele o desejo de seguir o mesmo caminho. Pouco tempo depois, ingressaria na Ordem Franciscana, tornando-se conhecido pela Igreja como Santo Antônio de Pádua.
Assim, o sangue dos mártires não encerrou histórias; ao contrário, abriu caminhos, fecundou vocações e fortaleceu a missão evangelizadora da Igreja.
Martirizados por amor, não por violência
É importante compreender que o martírio cristão, e particularmente o franciscano, não nasce do fanatismo, mas da fidelidade. Os Protomártires Franciscanos não buscaram a morte; buscaram viver o Evangelho com inteireza. Quando confrontados com a possibilidade de negar a fé, escolheram permanecer unidos a Cristo.
Esse testemunho continua atual. Em um mundo marcado por intolerâncias, exclusões e indiferença, os Protomártires nos recordam que seguir Jesus exige coragem, coerência e disposição para ir até o fim, mesmo quando isso custa incompreensão ou sofrimento.
Um legado vivo no carisma franciscano
O testemunho dos Protomártires Franciscanos permanece vivo na história da Ordem e na vida da Igreja. Ele nos recorda que o verdadeiro discipulado se constrói no cotidiano, na fidelidade silenciosa, no anúncio do Evangelho com palavras e obras.
No Santuário de São Francisco das Chagas de Canindé, esse carisma continua a ser vivido na acolhida aos romeiros, na oração perseverante, na simplicidade da vida franciscana e no compromisso com a paz e o bem. Celebrar os Protomártires é renovar o chamado a sermos, também hoje, testemunhas do Evangelho, ainda que não com o martírio de sangue, mas com o martírio diário da fidelidade.
Que o exemplo desses santos nos ajude a viver uma fé autêntica, corajosa e profundamente enraizada em Cristo, como São Francisco nos ensinou.
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